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Todos os anos falamos da praxe

por Carolina, em 24.09.15

Praxe, para mim, é apenas sinónimo de impunidade. De poder dizer e mandar fazer tudo e mais alguma coisa sem pensar nas consequências. De subjugar o outro. De humilhar. Fico triste que a vontade de ser aceite pelo grupo seja maior do que a preocupação com o bem-estar físico e psicológico. Fico revoltada pelo facto de as universidades e as entidades competentes fecharem os olhos a estas coisas. Porque eu disse não, mas há quem não o faça, pela pressão de se sentir integrado e "normal" aos olhos dos outros. Todos os anos falamos da praxe. Todos os anos pelos mesmos motivos. Até quando é que nos vamos esconder por detrás do argumento de que a praxe é uma coisa inofensiva?

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11 comentários

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De sacha hart a 24.09.2015 às 20:46

A praxe pode não ser inofensiva, mas não é uma calamidade como alguns fazem crer. A faculdade onde estudo é anti-praxe, os professores aconselharam-nos a não ir, mas foi quem quis, desistiu quem quis desistir. Eu gostei muito da praxe, foi a melhor altura para conhecer os meus colegas e os trajados e nunca, por um segundo que fosse, me senti "dominada". Mas isto, claro, foi o meu caso, onde nenhuma actividade imprópria foi pedida, tudo o que se fez foi brincadeira e toda a gente entrou nela e saiu a rir. Amigos meus de outros cursos não tiveram a mesma sorte e saíram-lhes tarefas ridículas e desumanas na sua praxe. Por isso esta é uma história que dá para os dois lados, infelizmente na maioria das vezes só se ouve o mau. O que deveria acontecer era uma praxe humana e sensata, com caloiros informados e trajados decentes. Infelizmente, a tradição de muitas praxes assim não o é.
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De Carolina a 24.09.2015 às 21:23

A praxe não é uma calamidade? A partir do momento em que várias pessoas (bastava ter sido só uma) morreram durante uma praxe, deveria ter sido o suficiente para se legislar (já nem chego ao extremo de abolir) e regular.
Para mim a única praxe com um ensinamento positivo é a solidária. De resto, é tudo o mesmo. Umas mais leves, outras mais "hardcore", a praxe nada mais serve do que para rebaixar o outro. Se não fosse esse o caso, não existiriam hierarquias, regras estapafúrdias tais como não poder olhar nos olhos e ter que tratar o trajado por você, e coisas que tais.
Nunca fui de extremos relativamente à praxe, mas já chega. Já chega de ser sempre a mesma história.
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De sacha hart a 24.09.2015 às 21:28

Nesse sentido é uma calamidade. Escolhi mal a palavra que queria. Ninguém deveria morrer numa actividade destas, e nisso concordo, a praxe devia ser regulada para evitar situações extremas como as que têm acontecido - mas abolir uma coisa destas? Não serviria de muito. As mortes e os acidentes que têm acontecido são fruto de actividades irreflectidas, tanto da parte dos praxantes como dos praxados. Quem no seu perfeito juízo faria o que estes fizeram? Como seres humanos conscientes não deveriam ter ideias assim, ou se forem os praxados, não deveriam sequer pensar em sujeitarem-se a ideias dessas.
Nisso concordo, já chega da mesma história. A praxe solidária é a melhor, não haja dúvida. Mas, na minha opinião pessoal, a praxe que tive foi uma experiência e não a consigo considerar negativa. E lamento que haja muita porcaria a acontecer e a ser rotulada de "praxe" quando o rótulo deveria ser "crime" e "estupidez".
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De omeumaiorsonho a 24.09.2015 às 21:44

Eu acho que os estudantes abusam de uma forma inconveniente das praxes. Existe tanta forma de nos divertirmos sem abusar nem humilhar os outros.
Não compreendo. ..
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De Carolina a 26.09.2015 às 17:48

100% de acordo...
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De Vanessa a 25.09.2015 às 10:26

Não posso discordar mais. Fui praxada, praxei e nunca houve abusos. Óbvio que te "mandam" fazer uma coisa e tu só tens que dizer que não fazes ou fazes.
Nunca fui penalizada por não beber uma pinga de álcool durante 1 mês e meio de praxes, aliás, fui bastante beneficiada, porque até aprendi a gostar de beber água, também nunca penalizei alguém (ou os meus colegas) por isso. Nunca fui penalizada nem penalizei alguém por não fazer uma praxe, aliás, colocaram-me/colocámos os caloiros a fazer outras tarefas úteis: tomar conta das malas dos colegas, levar água a quem queria, montar os cenários dos jogos, basicamente... ser útil.

Por isso, se vemos casos que correram mal, também ninguém fala daqueles casos que correm bem. Porque se falassem desses, acreditem que iam ver as praxes com outros olhos.
Ainda não houve uma alminha que me explicasse o que se passou no Meco, uma vez que não foi no tempo de praxes. Na minha universidade não levamos caloiros para outra zona geográfica longe da universidade (kms e kms) e os praxamos lá, isso não é aceitável, nem estamos em meio académico. A rapariga que antes disso morreu em Beja, tinha problemas cardíacos e estava parada nesse momento e não teve esforços nenhuns, foi mesmo por doença! O que é que fizeram? Penalizaram o Politécnico inteiro, acabaram com as praxes nesse ano e eles fizeram algo bom depois disso: um cordão humano à volta do hospital para lhe dar apoio, infelizmente a rapariga morreu.
Agora vai uma miuda de Faro (LOL), para a praia, mandam-na enterrar-se até ao peito e ela acha que sim, que é bom. Querem que beba álcool, ela não costumava beber, também achou que sim. Então mas não tem miolos? Não pensa por ela? Ou acha que é mesmo obrigada a fazer tudo?

Quando praxei as primeiras coisas que fazíamos quanto aos caloiros eram perguntas: queres ser praxado? (Se não queria, perguntavamos se queria experimentar um dia, só para ver se gostava e se valia a pena continuar ou se não queria mesmo de todo) O seu numero de telemovel? Onde mora cá? Quer dar o numero de alguém caso seja necessário? Tem doenças ou problemas de saúde que sejam mesmo importantes e que precisemos saber? É vegan? Etc.
A minha colega de casa, era minha caloira e eu só soube que ela tinha um GRANDE problema de saúde, porque ela foi morar comigo. Porque na altura, escondeu isso e caso não soubéssemos, ela podia ter um ataque ou qualquer coisa e era do quê? Como é que sabiamos?
Se tem de haver bom senso da parte de quem praxa, tem de haver principalmente da parte dos caloiros. Se têm problemas de saúde, DEVEM informar-nos e às vezes não o fazem por medo de repreensão ou exclusão. É estúpido! Eu tive uma miuda com escoliose, que queria por tudo fazer o mesmo que os outros, não queria ser diferente, no dia em que lhe fizemos a vontade e ela foi jogar futebol humano, tivemos de a levar às urgências porque ela estava cheia de dores, não tinha medicação em Évora e ficámos super preocupados com ela, porque fizemos a vontade e ela ficou mal. Aqui a culpa era de quem? Pois, nem sei.
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De sacha hart a 25.09.2015 às 14:15

O meu email é o sachaa.hart@gmail.com :)
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De moon a 26.09.2015 às 14:32

não me quero alongar muito sobre este assunto porque é um assunto que me chateia mas tinha de deixar a minha opinião. tenho pena que a tua opinião sobre a praxe seja má mas também sei que isso acontece porque conheces a praxe como os média a fazem, uma coisa má, humilhante, ridícula e triste. eu fui praxada e praxei e nunca, em momento algum, humilhei alguém e nunca ultrapassei limites de ninguém e mais, nunca deixei que o fizessem. há cursos e cursos e há universidades e universidades e tudo muda conforme as pessoas. se há pessoas que abusam e que desrespeitam a culpa não é da praxe, é dessas mesmas pessoas que acham que por estarem a praxar têm mais poder que os outros e que acham que praxar é rebaixar os alunos e mandá-los fazerem coisas que não fazem sentido. a minha praxe foi à base da integração, conhecer a cidade, jantares, almoços entre pessoas do curso, canções sobre o curso e sobre a vida académica, etc etc. onde é que existe humilhação nisso? não existe. o problema é que há muito deixou de existir a definição de praxe como ela devia ser porque há muita gente que gosta de abusar e de "brincar" ao ser-se estúpido. e claro, a culpa é também de quem não sabe dizer não ao que não lhe é confortável e ao que ultrapassa os limites pessoais de qualquer pessoa. eu sou da universidade do algarve e a praxe do meu curso nada tem a ver com o que se passou com o curso em questão da confusão que agora passa na comunicação social e mais, apesar de não concordar com a praxe que eles fazem (que nem é praxe, porque a praxe aqui acabou no dia anterior e qualquer coisa depois disso já não faz parte da tradição), revolta-me o que a comunicação social anda a fazer porque estou farta de ouvir mentiras e mentiras sobre o que se passou e sobre a minha universidade. é revoltante.
é um assunto que vai ter sempre polémica e muito para se falar..
beijinho x
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De Carolina a 26.09.2015 às 18:03

Eu não conheço a praxe através dos média. Eu fui à praxe do meu curso. Falo por experiência pessoal e não só. A minha universidade está localizada numa zona onde várias outras universidades praxam os seus estudantes. Portanto não é como se eu só assistisse às notícias e formasse a minha opinião a partir do que a comunicação social mostra.
Assim, continuo sem saber como é que a praxe pode ser sinónimo de integração. Integração não é berrar, ditar que não se pode olhar nos olhos, ditar que há regras para cumprir. Integração é sinónimo de amizade, de aceitação. A praxe é tudo menos isso. É uma hierarquia que assenta em pressupostos de eu ser melhor que tu (eu estou acima de ti, tu és a besta). Estas nomenclaturas são, por si só, humilhantes.
O facto de muita gente não dizer "não", assenta no facto da pressão psicológica que é feita, exactamente por existir esta ideia de que a praxe é integração e que se não fizer parte da praxe, será sempre um excluído.
A minha opinião não muda. A praxe é uma actividade académica e que, por isso, devia cingir-se ao meio académico, isto é, não deveria ser praticada fora da universidade. Para além disso, deveria ser regulada pela instituição e legislada pelo Estado. Porque já vimos o suficiente, mas ainda há muita porcaria por aí que podia ser desenterrada.
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De moon a 26.09.2015 às 21:06

o que eu quis dizer foi que tu conheces a praxe má não pelos média mas por a teres vivenciado dessa maneira. a praxe que eu fiz, foi somente dentro da universidade portanto lá está, há sítios e sítios e há praxantes e praxantes e cada um tem de ter juízo e cabeça para fazer as coisas da maneira correta.
não acho que quem não seja praxado deixe de ser incluído, quando eu fui praxada houve uma rapariga que se declarou anti-praxe e eu sempre me dei com ela e não foi por isso que deixei de me dar com ela mas mais uma vez, isso depende de pessoa para pessoa e o erro está aí, nas pessoas más.
respeito completamente a tua opinião porque eu fui praxada duas vezes em cursos diferentes e tive experiências completamente diferentes, uma não gostei e a outra gostei, tanto que gostei que praxei e foi da maneira que gostei que praxei porque acho que é a correta.
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De Carolina a 26.09.2015 às 22:26

Percebo e respeito a tua opinião e não tenho nada contra com quem praxa ou é praxado. Aliás, dou-me muito bem com os meus colegas que praxam e nada tenho a comentar sobre eles. Contudo, volto a dizer que a praxe deve, obrigatoriamente, ser regulamentada. Só assim pode haver um espaço seguro e livre. A partir daí, sou a favor de tudo e mais alguma coisa. Quem quer, quer. Quem, não quer, não quer. A minha questão é apenas esta.
Beijinhos

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